“FUJA! Nada mais vale a pena!”?

Sempre tive o costume de buscar informações e o ponto de vista de quem já adquiriu ou vivenciou algo que me interessava. Ao longo da vida, isso me rendeu conversas interessantes e muito aprendizado compartilhado por outras pessoas, principalmente porque, quem costuma participar dessas conversas, geralmente tem mais experiência do que eu.

Porém, ao procurar opiniões nas redes sociais, me deparei com um fenômeno: parece que nada mais vale a pena; tudo é motivo para FUGIR — sim, em caixa alta! Mas será mesmo?

Aparentemente, a pergunta deixou de ser “como faço tal coisa?” para se tornar “vale a pena tentar fazer tal coisa?”. E, na internet, parece que o desencanto vende muito bem. Por isso, talvez exista um incentivo para exagerar. Somado à confusão entre “não valeu a pena para mim” e “não vale a pena para ninguém”, isso passa uma sensação de que nada mais compensa.

Parece que hoje existe a ideia de que toda escolha precisa ser perfeita; de que só vale a pena fazer algo se houver garantia de retorno e se isso assegurar felicidade constante. Porém, a vida não é assim. Um casamento, por exemplo, pode trazer alegrias enormes, mas também momentos difíceis. Em uma carreira, é preciso se dedicar por bastante tempo antes de ser reconhecido e crescer como profissional.

Quem diz “não compre uma casa porque não vale a pena” também não fala sobre as dificuldades de depender do aluguel por décadas. Quem diz “não faça faculdade” não comenta sobre as limitações que algumas profissões impõem a quem não tem diploma. No geral, praticamente tudo o que tem valor exige algum investimento: de tempo, dinheiro ou esforço.

Porque, afinal, se nada vale a pena… não estude, não se case, não tenha filhos, não compre uma casa, não compre um carro, não seja CLT, não seja autônomo, não escolha determinada carreira, não saia de casa… Enfim, no final, sobra o quê?

Enfim, isso tudo pode ser apenas uma prova de que o arrependimento faz mais barulho do que a satisfação. Por isso, creio que precisamos ser cuidadosos com a ideia de que nada vale a pena e começar a pensar com mais carinho nas coisas que desejamos para nós, independentemente do que seja, para que, daqui a alguns anos, o barulho não seja o arrependimento de não termos feito aquilo que queríamos ter feito quando tivemos a chance.

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