Autonomia emocional não é não precisar de ninguém.
Como você se sentiria se absolutamente ninguém elogiasse você hoje? Isso mudaria a forma como você se percebe?
Muitas situações do cotidiano parecem depender de algum tipo de validação. Por exemplo:
- ·Uma pessoa posta uma foto e espera pelas curtidas e comentários para decidir se ela ficou boa ou não;
- ·No trabalho, recebe feedbacks positivos, mas basta ouvir um “você poderia melhorar” para concluir que não é um bom profissional;
- ·Em um relacionamento, acredita que só é feliz se o parceiro toma constantemente a iniciativa, demonstra carinho e afaga seu ego;
- ·Nas relações, só consegue se sentir interessante se alguém demonstrar interesse por ela;
- ·Na vida, só consegue acreditar que está se saindo bem quando alguém reconhece seu esforço;
- ·Em relação à autoestima, só se sente bonita quando percebe que é desejada por alguém.
Consegue reconhecer um padrão nesses exemplos? A questão é: quanto da percepção que você tem sobre si mesmo está depositada nas mãos de outras pessoas?
Não quero romantizar a ideia de que “não precisamos de ninguém”, porque, de verdade, precisamos, sim. Nós, seres humanos, não fomos feitos para viver sozinhos: somos seres relacionais. Gostamos de ser elogiados, amados, reconhecidos, desejados e valorizados. Um feedback positivo no trabalho é importante. O carinho do parceiro com quem dividimos a vida importa. Ouvir que alguém gosta da nossa aparência massageia o ego e nos faz bem.
Não se trata de deixar de querer essas coisas. Trata-se de não terceirizar a responsabilidade de definir o nosso valor. Afinal, existe uma grande diferença entre “eu quero que você faça parte da minha felicidade” e “é seu dever me fazer feliz”.
Aliás, quem nunca ouviu, principalmente em um contexto de término de relacionamento, alguém dizer: “Fulano(a) não me fazia feliz”? Mas isso, sobretudo nos relacionamentos amorosos, já é outro assunto.
O objetivo aqui é esclarecer que você não deveria deixar aquilo que é importante para você depender das outras pessoas. Isso não significa que você precise fazer tudo sozinho, mas que é preciso construir uma certa autonomia sobre aquilo que importa para você.
Se sua autoestima é importante, não deixe que ela dependa apenas dos elogios que recebe. Se sua carreira é importante, não deixe que sua confiança como profissional dependa exclusivamente da aprovação do seu chefe. Se sua felicidade é importante, não deposite todo o peso dela sobre parceiros, amigos e familiares. Se você gosta de se sentir bonita, não permita que a ausência de olhares faça você se esquecer disso.
Talvez isso também se aplique a questões práticas: se existe algo que você deseja fazer ou vivenciar, pode ser perigoso esperar que outra pessoa tome a iniciativa ou que o destino simplesmente bata à sua porta. Às vezes, essa espera é uma forma silenciosa de abrir mão do que importa para nós e de colocar nossa vida em modo de espera.
E não, não quero entrar no discurso de “não espere nada de ninguém”. Também não quero que essa ideia soe como independência exagerada. Podemos precisar do outro, esperar do outro e nos relacionar com os outros sem entregar o controle de tudo o que sentimos.
Podemos querer alguém caminhando ao nosso lado sem abrir mão de caminhar quando essa pessoa não acompanha cada passo. Podemos querer ser escolhidos sem esquecer que, antes de tudo, também precisamos nos escolher.
Para finalizar, talvez a questão não seja aprender a não precisar de ninguém ou afirmar que não nos importamos com o que os outros pensam quando, no fundo, nos importamos. Talvez seja aprender a não tornar ninguém responsável por aquilo que, na verdade, precisa ser construído por nós.

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