Já fizemos por aqui algumas reflexões a respeito de estarmos, ou não, perseguindo nossos próprios objetivos, de estarmos medindo a nós mesmos pela régua alheia e da importância de ter uma direção, um norte para seguirmos em nossas vidas. Entretanto, surgiram muitas perguntas e talvez nenhuma resposta mais prática ou objetiva. Ou seja, embora tenhamos falado sobre a importância de ter objetivos, não falamos aqui sobre como definir metas e objetivos, por exemplo. E é sobre isso que vamos conversar por aqui hoje.

Afinal, não adianta muito descobrir que estamos perseguindo objetivos alheios se, quando finalmente começamos a olhar para as nossas próprias metas e objetivos, não sabemos muito bem o que fazer com eles, não é mesmo? Então, vamos lá!

Mas, primeiramente, qual a diferença entre meta e objetivo?

Antes de começarmos a definir nossas metas e objetivos, precisamos compreender o que, de fato, eles são e qual é a diferença entre um e outro. De uma forma geral, um objetivo é aquele ponto em que queremos chegar, enquanto as metas são etapas que vamos cumprir para chegar até ele. Ou seja, objetivos são maiores, enquanto as metas são menores. Nem sempre uma meta estará claramente dentro de um objetivo, mas normalmente estará atrelada a ele.

Digamos que você tenha como objetivo ter uma renda maior e uma vida mais confortável financeiramente. Uma de suas metas pode ser conseguir um aumento de salário, conseguir uma promoção ou juntar um determinado montante para investir.

Antes de definir suas metas, entenda o que você realmente quer.

Nesse primeiro momento, é preciso saber diferenciar desejo, expectativa externa, necessidade e objetivo. Porque, às vezes, dizemos que queremos uma promoção, uma casa, viajar, emagrecer, estudar ou ganhar mais dinheiro. Mas quanto dessas vontades nasceu realmente de nós e quanto veio do que aprendemos que deveríamos querer?

É preciso compreender isso porque é realmente frustrante se esforçar por algo que talvez nem se encaixe no nosso estilo de vida e só perceber isso depois de todo um investimento de tempo, dinheiro e sanidade. Antes de tomar algo como um objetivo, antes de definir suas metas, tire um tempo para pensar se aquilo que você acredita querer realmente faz sentido para você e para a vida que vem construindo. Tente imaginar aquilo funcionando na sua vida de uma forma realista, e não romantizada.

Pergunte-se coisas como: “Por que eu quero isso?”, “Isso combina com a vida que eu quero construir?”, “Eu realmente quero isso ou quero o que isso representa?” e “Se ninguém soubesse que eu consegui isso, eu ainda estaria feliz com o resultado?”.

Daí, sim, transforme suas vontades em objetivos e estabeleça suas metas para tornar todo o seu caminho mais acompanhável.

Estabeleça metas e objetivos claros!

Uma das maiores dificuldades que parecem existir na hora em que muitas pessoas traçam seus objetivos e suas metas é a falta de clareza. No texto em que comecei essa conversa, falei sobre muitos objetivos que parecem existir por aí serem muito abstratos e, dessa forma, entramos em uma corrida onde não existe uma linha de chegada.

Por isso, se, por exemplo, temos como objetivo ter muito dinheiro para termos uma vida confortável, bom, quanto dinheiro é o suficiente? Quanto você tem como objetivo juntar? Como vai fazer para juntar e administrar esse dinheiro?

São coisas que precisam ser esclarecidas para que o objetivo realmente faça sentido e seja possível percorrer o caminho até ele.

As metas, nesse caso, seriam as etapas que cumpriríamos para tornar o objetivo tangível. Por exemplo, uma meta pode ser juntar o suficiente para formar uma reserva de emergência que cubra um determinado número de meses. Assim, caso apareça alguma situação adversa, você terá tempo para se reorganizar sem comprometer toda a sua vida financeira ou acabar se endividando por conta disso.

“Quebre” seu objetivo em passos possíveis.

É, basicamente, dessa forma que conseguimos definir boas metas. Quando vemos uma empresa estabelecendo metas de lucro mês após mês, por exemplo, é porque elas são etapas para atingir determinado resultado anual. A cada mês em que a empresa bate a meta, aproxima-se um pouco mais do objetivo. Compreende?

Então, digamos que você tenha como objetivo escrever um livro. Você pode transformar esse objetivo maior em metas menores, como organizar as ideias, estabelecer uma rotina para escrever, escrever X páginas, concluir determinados capítulos, revisar e assim por diante.

Entenda essas metas pequenas não como uma obrigação de produtividade, mas como uma forma de diminuir a distância entre aquilo que queremos e aquilo que conseguimos fazer dia após dia.

Não transforme suas metas em uma prisão.

Definir metas não significa prever exatamente como tudo na vida deve acontecer a partir de agora. Uma meta pode precisar ser revista. O objetivo pode mudar em algum momento. Podemos perceber que não queremos mais aquilo — e isso não significa necessariamente fracasso. Simplesmente faz parte.

Nem sempre temos certeza absoluta sobre tudo e não é preciso esperar por ela para começar algo — inclusive, não recomendo. Claro, não estou dizendo que temos de ser imprudentes, mas, se ficarmos sempre esperando pelo momento perfeito, talvez nunca saiamos do lugar.

Mas e se eu não souber o que eu quero?

Bom, nem todo mundo tem um grande objetivo definido, e está tudo bem. Às vezes, o primeiro objetivo pode ser justamente descobrir o que queremos.

Isso, apesar de parecer muito filosófico, pode sim ser transformado em algo concreto: experimentar coisas, prestar atenção naquilo que desperta nosso interesse, identificar aquilo que não queremos mais e observar quais mudanças fariam diferença na vida cotidiana.

Talvez definir objetivos não seja escolher uma versão ideal de nós mesmos e correr atrás dela. Talvez seja olhar para a vida que temos hoje, entender para onde queremos ir e decidir qual é o próximo passo possível.

Mas, e você: já sabe onde quer chegar ou ainda está tentando descobrir qual caminho realmente é seu?

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